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INTRODUÇÃO:  Em frente uma lanchonete, numa madrugada um grupo de

adolescentes, amigos da mesma escola, conversam sobre coisas do dia a dia,

quando um deles vê que o joelho da colega Zuleide está Ferido, e ele em tom de

brincadeira, chama a atenção de todos para aquele fato.

(INICIO DA PEÇA)

Zeca:  Gente! Olhem só o que eu descobri! O joelho da Zuleide  está ralado

(indica com o dedo o joelho) e ela não contou pra gente como foi o mico! Ah!

Não!...Pode contar essa pra nós Zúleide! diga o que aconteceu!...

Tico: - É isso aí! Fecha a roda turma, por que aí vem um grande lance.

Deve ser uma estória emocionante!

Vera:  Não quero perder essa! Vamos amiga, conta tudo o que aconteceu!

Zuleide:  (fica envergonhada e não diz nada)

Durval:  Poxa Zúleide! Nossa turma é tão unida, sempre fazemos tudo juntos,

conta...reparte com a gente que aí deixará de ser mico!

Zuleide :  Já que não tem jeito, vou contar! Mas vocês prometem não rir de mim?

Todos juntos dizem:  Prometemos!!!

Zuleide :  Foi um tombo!...E que tombo!... Eu andava pela calçada e fiquei

olhando para um cara muito lindo que vinha andando pelo outro lado da rua e

tropecei nos pés de uma senhora que estava deitada na calçada!...Aí eu caí...me

esparramei, sem chance de me segurar em coisa alguma! Gente!...

Foi horrível! Que vergonha...Não sabia onde enfiar a cara!...

Zeca:   Pera aí!... Uma mulher deitada na calçada? Isso não é possível!!!

Vera:  Por que não? Você acha que é só o homem tem direito de ficar deitado na

calçada?  Por que esse machismo?  Mas me diga amiga...

Por que  essa mulher estava lá deitada?...

Zuleide:  Estava bêbada... Num pileque daqueles!...Tinha tomado o maior porre

de pinga!... Mas apesar de tudo ela me pediu desculpas e até tentou me levantar,

mas não conseguia parar em pé; eu fiquei morrendo de dó!...

Zito:  E o que você fez por ela??

Zuleide: Nada...oras!... Levantei-me e fui embora... O que você queria que eu

fizesse?

Zito: Acho que você está errada... Deveria ter tentado ajudar a coitada da mulher

bêbada!

Zeca: (inconformado com as palavras do Zito)  Como ajudar? Se a Zuleide poderia

até ter fraturado o joelho?

Era a Zuleide que precisava de ajuda naquele momento!

Zito – - Acho que a Zuleide poderia ter ajudado essa infeliz! Caindo, conseguiu

enxergá-la de perto. 

Deveria ter enxergado ali uma mulher, um ser humano, também digno de

cuidados.

Durval: (empolgado diz) Olha gente! Lembrei-me do nosso Curso sobre drogas...

a professora disse que quem bebe muito, precisa de tratamento médico,

frequentar assiduamente um Grupo de Apoio, e as vezes até a internação.

Por que não vamos todos juntos procurar essa mulher e tentar ajudá-la a se

curar do vicio?

Vera: O Durval foi muito feliz lembrando o curso que nós fizemos! Mas eu digo:

Lembram-se da Parábola do Bom Samaritano? Aquela que Jesus contou,

instruindo-nos para praticar a caridade? 

Zuleide! você deveria ter sido a Boa Samaritana; poderia também ter pedido

ajuda a nossa turma.

Você sabe: “ somos um por todos e todos por um”. Vamos todos nós ajudar essa

mulher, turma? Vamos descobrir seu endereço; levá-la a um posto de Saúde

Mental, passá-la por um psiquiatra e se ele achar que deva ser internada, vamos

interná-la. Isso tudo porém, se ela aceitar nossa ajuda.

Depois levá-la também a um Grupo de Apoio aos Alcoólatras.

Vamos fazer isso minha gente???

Todos: (todos responderam juntos)  Vamos !!!....

Vera: Você perguntou Zuleide, o nome dessa mulher? Sabe como ela se chama,

onde mora?

Zuleide : - Quando ela me pediu desculpas, não me disse seu nome  e nem eu

perguntei onde ela mora. Mas não será difícil encontrá-la, é só irmos lá onde eu 

cai; foi em frente a Agencia dos Correios;  ela deve estar deitada novamente lá

na calçada, ou bebendo em algum bar nas proximidades daquele local.

Vera : -Boa idéia você nos deu; vamos então amanhã cedo, às 9 h,  porque cedo

ela não bebeu muito e é mais fácil de nós conversamos com ela. Então combinado

turma? Todos de acordo? Amanha as 9h encontramo-nos em frente aos correios e

vamos procurá-la. Agora vamos embora que já é tarde. Tchau!!!...

Todos : Tchau!!! 

(todos saíram – faz-se pequeno intervalo e todos retornam ao palco) .

Todos: Bom dia! (todos se encontram e se cumprimentam dando as mãos) .

Zuleide : (Olha para a frente e diz ao pessoal) São 9 h, todos estamos aqui...

Gente! Olhe só que felicidade, aquela mulher que vem vindo nesta calçada e já

está próxima de nós, é a Alcoólatra!

Vera: Que legal que ela está por aqui... Eu e a Zuleide vamos na frente e depois

que nós começarmos a conversa vocês todos se aproximem, participando também,

para que  saiba que somos amigos que queremos ajudá-la.   

Zuleide : (se aproxima e inicia o diálogo)  Oi!....Você está bem?  Se lembra de

mim? Eu sou aquela jovem que ontem tropeçou em seus pés e caiu na calçada.

Mas não foi nada...não me machuquei; apenas esfolei o joelho.

Eu vim até aqui te procurar, porque eu a Vera que está aqui comigo e aqueles

outros amigos que estão logo ali na calçada, decidimos  oferecer nossa ajuda, se

você aceitar... para você se libertar da bebida alcoólica.

Como você se chama? 

Ana: (a alcóolatra) Meu nome é Ana; peço novamente desculpas por você ter

caído tropeçando em meus pés.

Claro que aceito ajuda! Vocês fariam isso por mim? ...

Vera : Veja, nossos amigos chegaram; (dirige-se aos amigos e diz:) Tico, Zeca,

Durval, Zito; esta é a Ana, amiga da Zuleide, que estamos procurando, 

oferecemos nossa ajuda e ela aceitou.          

Todos : (numa só voz) - Queremos ajudá-la sim, a se libertar da bebida!

Ana : Mas como será essa ajuda?

Zito: Vamos levá-la ao médico psiquiatra no Posto de Saúde Mental, para uma

consulta, se você  aceitar!

Ana: Aceito sim; preciso muito de ajuda; comecei a beber demais e não consigo

parar; não tenho força de vontade suficiente; sinto-me sozinha demais....mas

agora que vocês se propõe a me ajudar, sinto-me bastante animada...Mas não

tenho dinheiro para pagar a consulta; vocês pagariam a consulta médica?

Zeca: - Não se preocupe com despesa; a consulta é gratuita, o governo é

quem paga.

Durval: A sua única preocupação deve ser a de relatar com sinceridade o seu

vício; quanto tempo está dependente, quanto bebe, e outras perguntas que o

médico lhe fizer.

Tico: Você deve também dizer ao médico se tem  vontade de vencer o vício, se

vai seguir a orientação dele e tomar os remédios que ele receitar?

Zuleide : E se o médico achar que você precisa ser internada em hospital

psiquiátrico para melhor recuperação, você concorda?

Ana: Se o médico achar que o meu caso é grave e que precisa de internação eu

aceito, sim... eu quero é me livrar da bebida, porque perdi o meu emprego por

causa da bebida, e quero retornar a trabalhar.

Zito: Ana; há ainda um outro tipo de tratamento, ou ajuda, além de consulta

médica, internamento hospitalar, para que tenha sucesso para vencer o vício...

Ana : Que outro tipo de tratamento  eu ainda preciso...

Zito: Frequentar assiduamente, um Grupo de Apoio; nesses grupos há pessoas

muito bem preparadas para orientar e estimular os dependentes de álcool, drogas

a se libertarem. E também nesses grupos já existem vários dependentes que

venceram os vícios e são, exemplos e estímulos a quem ainda não se libertou.

Ana:  Aceito tudo o que for necessário para eu vencer o meu vício.

Agradeço a Zuleide, e a todos vocês por essa orientação e ajuda que estão me

dando. Vocês não imaginam como agora me sinto tão feliz de encontrar tantos

amigos e amigas que vão me ajudar...

Zuleide: Tenho um vizinho que é coordenador de um Grupo de Apoio aqui em

nossa cidade, e ainda hoje vou pedir a ajuda dele também para que você possa

integrar-se nesse Grupo e receber ajuda. Nós a levaremos e acompanharemos

durante algum tempo essa ajuda do Grupo de Apoio.

Se for internada, quando tiver alta participará das reuniões do Grupo e se não

precisar de internamento, pode já participar nos próximos dias.

Vera: Ana; vamos então ao médico agora? Vamos ao Posto de Saúde Mental para

a Consulta Médica com o psiquiatra? Como não podem ir todos a consulta médica,

proponho que a Zuleide e eu, levemos Ana para a consulta, e vocês serão

informados do andamento desse tratamento médico e se ela for internada,

informaremos em qual hospital, os dias de visitas e horários para que todos,

possam visitá-la. Informarei cada um de vocês ainda hoje por telefone, sobre o

atendimento que será feito a dona Ana.

Todos: (se despedem dizendo ) Sucesso Ana!...Jesus a Ampare e Proteja! 

Ana : Obrigado, Amigos!        

Zuleide : Vamos  Ana pegar o carro que está estacionado ali na esquina.

Vamos já  ao Posto de Saúde Mental.

INFORMAÇÕES NO ENCERRAMENTO DA PEÇA TEATRAL: Ana foi internada em

Hospital Psiquiátrico, devido a gravidade do seu problema.

O Grupo de amigos e amigas passaram a visitá-la.

O Coordenador do Grupo de Apoio passou também a visitá-la, e quando Ana teve

alta do hospital os amigos foram juntos, ao Grupo de Apoio.

E ela passou a  frequentar assiduamente aquelas reuniões.

FIM